Exercícios físicos têm um efeito fascinante na população geral. Pesquisa com estudantes universitários apontam como hábitos saudáveis a prática regular de exercícios físicos em primeiro lugar. Ao mesmo tempo, os estudantes consideram mais prejudiciais, em ordem do menos ao mais grave, a má alimentação, uso de bebidas alcoólicas, sedentarismo, dormir mal e fumar.

A partir da segunda metade do século XX a psiquiatria passou a ter mais interesse na influência de exercícios físicos sobre a saúde emocional. Surgiram então os primeiros trabalhos científicos sobre a influência do exercício aeróbio no estado de humor e na ansiedade. Depois disso, muitas outras pesquisas apareceram em relação a temas variados em torno dos exercícios e saúde emocional.

Ainda na década de 1970, a prática sistemática de exercícios físicos foi associada à menor ocorrência de sintomas depressivos e/ou ansiosos. Entre pessoas consideradas depressivas e/ou ansiosas a adoção de programas de exercício físico regulares mostrou-se, desde então, eficazes na redução dos sintomas desses quadros emocionais.

Porque e como os exercícios podem melhorar os transtornos afetivos (ou do humor) tem sido bastante pesquisado. Saber se os exercícios devem ser aeróbios ou de força, se a melhora é temporária ou duradoura, entre outras dúvidas têm sido algumas preocupações dos pesquisadores.

Em pessoas emocionalmente saudáveis há diminuição da ansiedade imediatamente após exercícios aeróbios, como por exemplo, uma corrida e permanece diminuída por algum tempo. Também em relação às pessoas portadoras de ansiedade patológica (Transtornos de Ansiedade), avaliações feitas através de escalas internacionais mostram redução significativa da ansiedade antes e durante o teste em esteira ergométrica até a exaustão.

Outros trabalhos mostraram que os efeitos dos exercícios sobre a ansiedade dependem bastante do nível de ansiedade que a pessoa tinha antes de começar o exercício, sendo que os efeitos melhores na redução da ansiedade aconteceram depois de 10-15 minutos do exercício terminado, seja essa ansiedade patológica ou não.

Além da eficácia do exercício físico sobre a ansiedade, também redução nos sintomas depressivos tem sido constatada. Trabalhos mostram que o exercício aeróbio melhora a adaptação e diminui sintomas depressivos, principalmente se são aplicados programas prolongados e regulares, como por exemplo, durante 12 semanas. Esta melhora pode ser resultado tanto de mecanismos fisiológicos, quanto comportamentais associados com exercício aeróbio

Trabalho interessante sobre o uso de exercícios físicos no tratamento da depressão mostrou que o exercício aeróbio realizado com intensidade moderada e de longa duração (a partir de 30 minutos), propicia alívio do estresse ou tensão. Isso se dá devido ao aumento dos níveis de um conjunto de hormônios denominados endorfinas. Essas endorfinas são substâncias elaboradas pelo próprio Sistema Nervoso Central e agem aliviando o impacto estressor do ambiente, assim sendo, previnem ou reduzem transtornos depressivos, conforme se comprova por vários estudos.

Além das endorfinas outros hormônios relacionados à libido, à perda de peso, definição muscular e disposição, tem níveis sanguíneos aumentados consequente ao exercício físico. O treinamento de força (musculação) com objetivo de aumentar o tônus e a massa muscular, parece influir na secreção de testosterona e hormônio do crescimento (GH). Diversos estudos buscam esclarecer os mecanismos envolvidos na estimulação hormonal através do treinamento de musculação.

Pesquisas mostram que alguns fatores, tais como intensidade dos exercícios, frequência das sessões de treinamento, quantidade de massa muscular envolvida nos exercícios, intervalos de recuperação entre as séries de exercícios, nível de treinamento e os períodos de descanso entre as sessões, são os principais determinantes das respostas hormonais.

Os exercícios de alta intensidade e curta duração, como a musculação por exemplo, determinam significativa participação de hormônios anabólicos, como é o caso da testosterona e hormônio do crescimento. O nível de testosterona aumenta imediatamente após o término do exercício de musculação e esse aumento é proporcional à intensidade dos exercícios, repetições e quantidades de séries, quantidade da massa muscular recrutada e volume total de trabalho.

Blumenthal tem um interessante trabalho mostrando a importância dos exercícios como tratamento coadjuvante para depressão em idosos. Separou 156 idosos comprovadamente deprimidos em 3 grupo: o primeiro tratado apenas com medicamentos, o segundo apenas com exercícios e o terceiro com a combinação exercícios-medicamentos. Os exercícios, no caso, eram sessões com duração de 45 minutos, sendo 10 minutos de aquecimento, 30 minutos pedalando ou andando forçadamente ou correndo levemente e 5 minutos de volta à calma, com frequência de 3 sessões semanais.

Depois de 16 semanas, os três grupos apresentaram resultados semelhantes, com redução dos níveis de depressão e foram acompanhados durante seis meses seguintes. O grupo com medicamentos teve resposta mais rápida, o grupo com exercícios teve menos recaídas e o grupo com exercícios e medicamentos teve melhora mais duradoura. Concluíram que a atividade física regular deve ser considerada uma alternativa não-farmacológica para o tratamento do transtorno depressivo em idosos.

No entanto, deve-se enfatizar que a carga excessiva de treinamento pode ter efeito negativo sobre a secreção desses hormônios. Isso ocorre quando há um desequilíbrio entre o treinamento e o período de recuperação, desencadeando uma situação conhecida como overtraining. Assim, parece que a melhor fórmula para que aumento nos níveis da testosterona seriam os treinamentos intensos, porém, com curtos períodos de trabalho e envolvendo grandes massas musculares. Na situação de exercícios muito pesados, parece não haver diminuição do nível do hormônio do crescimento como ocorre com a testosterona.

Geraldo José Ballone

Renata B. Cirotto

Fonte: Psiqweb (http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=247)

Leia Também